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sábado, 27 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28137: As nossas geografias emocionais (68): o temível Mato Cão, no rio Geba Estreito








Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Foto:  Joaquim Mexia Alves (2026)

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Foto: Carlos Marques dos Santos (2014)

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


1. A nossa Marinha tinha LDP, LDM e LDG que faziam este percurso, Bissau - Xime- Bambdinca. Até 1969 iam todas até Bambadiuca, metendo-se pelo rio Geba Estreito acima, a partir do Xime. Com a conmstrução da ponte-cais do Xime, em 1969, as LDG deixaram de subir o rio Gena Estreito (Xaianga).

Eram os famosos "barcos turras" que fariam, até ao fim, a ligação fluvial entre a capital e o interior da Guiné, e nomeadamente na Zona Leste. A viagem de barco tinha dois pontos críticos; a PontaVarela, entre a Foz do Rio Corunal e o Xime  e depois o Mato Cão (na margem do rio Geba Estreito, entre Nhabijões e Bambadinca).

Em 1 de julho de 1972, o dispositivo das NT já permitia uma melhor defesa da navegaçáo no rio Geba Estreito, relativamente ao tempo qem que a CCAÇ 12 e outars subunidades, ao serviço batalhão sedfiado em Bambadinca (Sector L1) eram obrigadas a manter segurnaça móvel, sempre que subia ou descia um "barco turra"... O quer era penoso; saíamos do quartel de Bambadinca, atravessávamos a bolanha de Fonte e montávcamos emboscada, a nível de pelotão, nbas imediçóes de Mato Cão.

Em 1 de julho de 1972,  já havia um destacamento permanente em Mato Cão (ou Mato de Cão). Nessa data, era guarnecido pelo Pel Caç Nat 54 (anualmenbte, ia rondando: Pel Caç Na 52, em 1973, e Pel Caç Nat 63,  em 1974), reforçado com um 1 esquadrão de um pelotão de morteiro (em 1 de julho de 1973, era o Pel Mort 4575/72). 

Do outro lado do rio (margem esquerda), já também  havia, em 1 de julho de 1972, no destacamento de Nhabijões, uma guarnição constituida por um pelotão (CCS/BART 3873) e uma 1 esquadra do Pel Mort 2268. 

No limite, o Mato de Cão podia ser batido pelo obus 10,5 cm do Xime (20º Pel  Art). A defesa do rio Geba Estreito, no subsetor de Bambadinca (sector L1, que incluía ainda mais 3 subsetores: Xime, Mansambo e Xitole), era ainda assegurada por Bambadinca (sede de batalhão: CCS/BART 3873 + CCAÇ 12 + Pel Mort 2268 + Pel Rec  Daimler 3085)...No total, com os Pel Mil (Finete e Missirá) e Pel Caç Nat (Mato de Cão, Fá Mandinga e Missirá), o subsetor de Bambadinca teria cerca de 550 homens enm armas!...

Guiné > Região de Bafatá > Sector L1 (Bambadinca) > Mato Cão >  Pel Caç Nat 52 (1973 /74) >   Vista do Rio Geba e bolanha de Nhabijões, a partir do "planalto" do Mato Cão. 

Foto (e legenda): © Luís Mourato Oliveira (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


Guiné > Região de Bafatá  > Sector L1 > Bambadinca > Destacamento do Mato de Cão > Pel Caç Nat 52 > 1973 > "A chegada à estância era sempre um momento vivido com prazer"... O sintex era a única ligação... à outra margem do Rio Geba (e nomeadamente, a Bambadina)... Claro que só se viajava de dia, por razões técnicas de navegação e de segurança. O sintex nã tinha holofotes nem armas coletivas. Era um estertura frágil que não aguentava com o embate do macaréu.

Foto (e legenda): © Joaquim Mexia Alves (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].

Guiné > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Rio Geba > A caminho de Bissau > c. 1968/1969 > O Fur Mil Carlos Marques dos Santos (1943-2019), "viriato" da CART 2339, Mansambo (1968/69), num barco civil ("barco turra"), a caminho de Bissau.

Era um dos típicos barcos civis de transporte de pessoal e de mercadoria, que fazia a ligação Bissau-Bambadinca, e Bambadinca-Bissau, passando pela temível Ponta Varela, na confluência do Rios Geba e Corubal e, a seguir, o assustador Mato Cão, no Geba Estreito, entre o Xime e Bambadinca. Estes barcos (alguns ligados a empresas comerciais, como a Casa Gouveia) tinham, como principal cliente a Intendência militar. Pelo Xime e por Bambadinca passava a alimentação e tudo o mais que era preciso para saciar o "ventre da guerra" da Zona Leste: homens, viaturas, armas,  munições, materiais de construção, etc.

Foto(e legenda): © Carlos Marques dos Santos (2006). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.]

 Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Contuboel > 1969 > CART 2479 / CART 11 (1969/70) > 20 de julho de 1969 > "Efeméride: no dia que o homem chegou à Lua, eu descia o rio Geba (Bambadinca-Bissau, com passagem no célebre Mato Cão e depois na não menos temível Ponta Varela, a seguir ao Xime)...

Era um barco fretado para levar material usado da tropa. Estivemos parados várias horas: primeiro por causa da maré, depois devido a avaria no motor do barco só resolvida (por desenrascanço...) com uma peça sacada dum carro que seguia no barco para sucata.  "Viagem inesquecível, até ao fim da minha vida!", escreveu o saudoso Valdemar Queiroz (ex-fur mil, CART 2479/CART 11, 1969/70).

Foto (e legenda): © Valdemar Queiroz (2014). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís GRaça & Camaradas da Guine.]
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quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Guiné 61/74 - P27295: Elementos para a história do Pel Caç Nat 63 (último comandante: Manuel Elvas, Fá Mandinga e Mato Cáo, 1973/74; autor de "O Vale dos Malmequeres", Chiado Books, Lx, 2017, 46 pp. (Luís Mourato Oliveria, ex-alf mil, últomo cmdt, Pel CaçNat 52, Mato Cão e Missirá, 1973/74)


Capa do livro de Manuel Elvas, "O Vale dos Malmequeres" (inicialmente lançado em 2017, pela Chiado Books, sob o pseudónimo literário M. Lacroix. ISBN 9789897741999, 436 pp.)

 

Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Sector L1 (Bambadinca) > Fá Mandinga > c. 1973/74 > O alf mil Luís Mourato Oliveira, cmdt do Pel Caça Nat 52 (Mato Cão) de visita ao seu vizinho e camarada Manuel Elvas, cmdt do Pel Caç Nat 63 (Fá Mandinga)... O pretexto foi uma caldeirada de cabrito... Para lá foi de jipe... Parece que no regresso, com a maré cheia, teve de ir dar uma volta ao "bilhar grande", isto é, ir a Bafatá...

Foto (e legenda): © Luís Mourato Oliveira (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].



Luís Mourato Oliveira

Foto à esquerrda  Luís Mourato Oliveira, o último comandante do Pel Caç Nat 52 (Mato Cão e Missirá, 1973/74); veio da CCAÇ 4740 (Cufar, 1973). Tem cerca de 80  referências no nosso blogue.. É autor da notável série "Álbum fotográfico de Luís Mourato Oliveira".


1.  Por qualquer razão, esta mensagem do Luís Mourato Oliveira, que hoje faz anos (e que tem andado fora do nosso "radar"...), não foi publicada na devida altura. É de 13 de novembro de 2022, 
16:39. Não perdeu atualidade.  A amizade e a camarada não têm prazos de validade.

Mas não posso deixar de pedir desculpa nem ao emissário nem ao verdadeiro 
destinatário, que é o Manuel Elvas.
Aproveito, se ele nos estiver a ler, para o 
convidar a integrar as nossas "fileiras". 
O lugar do inesquecível "alfero Cabral" esta bago, desde a sua despedida da Terra da Alegria.

 Boa tarde Luis

Ontem estive com um antigo camarada e amigo, o Manuel Elvas, que por coincidência tem casa e passa férias na Areia Branca.

 Como te vais aperceber pela leitura é apenas uma estória que reúne pessoas muito diferentes num objectivo solidário e que tem origem numa amizade de 48 anos e que teve origem na Guiné.

Segue em anexo e se achares interessante publica. Como sou muito "despachado" a escrever, se detetar erros, corrige por favor.

Abraço, Luis Mourato


Elementos para a história do Pel Caç Nat 63 (último comandante: Manuel  Elvas, Fá Mandinga e Mato Cão, 1973/74;  autor de "O Vale dos Malmequeres", Chiado Books, Lx, 2017,  46 pp.); Luís Mourato Oliveira (último cmdt, Pel Caç Nat 52, Mato Cão e Missirá, 1973/74)



Luís Mourato Oliveira, nosso grão-tabanqueiro nº 730, foi alf mil inf, de rendição individual, na açoriana CCAÇ 4740 (Cufar, 1973, até agosto) e, no resto da comissão, o último comandante do Pel Caç Nat 52 (Setor L1 , Bambadinca, Mato Cão e Missirá, 1973/74): é lisboeta,fez o Liceu Pedro Nunes, é bancário reformado, foi praticante e treinador de andebol, tem fortes ligações à minha terra natal, onde agora vivo, Lourinhã, Oeste, Estremadura; desde que se reformou, tem mantido e reforçado a sua ligação à Guiné-Bissau, em projetos de solidariedade. 

Técnico inscrito na Federação de Andebol de Portugal, tem apoiado e fomentado a modalidade na Guiné-Bissau, nomeadamente entre as camadas mais jovens, incluindo as raparigas, tendo começado por criar uma “oficina de andebol” na escola privada Humberto Braima Sambú. 

Não tenho notícias dele, nem o tenho visto na Lourinhã nem na Praia da Areia Branca. 



Conhecemos-nos em 1973 na Guiné-Bissau. Ele comandante do Pelotão de Caçadores Nativos 63,  então aquartelado em Fá Mandinga,  e eu quase ao lado no Pelotão de Caçadores Nativos 52, em Mato de Cão. 

Naquele tempo fazíamos facilmente amizades. Éramos jovens estávamos longe da família e de tudo o que nos era próximo e com que tínhamos crescido. De momento para o outro éramos homens e soldados e os nossos irmãos eram os companheiros de armas que como gémeos vestíamos de igual, partilhávamos do que dispúnhamos e até nas confidências o relacionamento era de confiança. 

Estou a falar do Manuel Elvas, comandante do Pel Caç Nat 63: na altura visitei-o em Fá Mandinga e para além do acolhimento fraternal recordo a única água pura e cristalina que bebi na Guiné sem ter de passar pelos filtros que a tornavam bebível. Foi ele que me rendeu com o 63 em Mato de Cão tendo na altura sido o 52 transferido para Missirá.

Os contactos mantiveram-se através de encontros na sede de batalhão em Bambadica e após o 25 de Abril na expectativa do regresso a Portugal, o Manuel que tinha reunido objectos de
recordação para trazer e sabendo que a minha bagagem era apenas a farda e dinheiro para o táxi do aeroporto até Campo de Ourique onde então residia, pediu-me para trazer alguns
haveres dado o seu regresso não estar ainda programado o que acedi imediatamente. 

Alguns dias após a minha chegada fui fazer a entrega na morada indicada e até pensei haver engano.

A residência indicada era um magnífico palacete do princípio do século XIX onde fui recebido pelos seus familiares com toda a simpatia. O insólito consistia na imagem que tinha do Manuel, homem simples, discreto, de gargalhada fácil mas contida, inteligente nos pareceres e proporcionando sempre um diálogo interessante e elevado.

O nosso relacionamento continuou em Lisboa. O Manuel tinha um restaurante que frequentei, não por favor ou amizade, mas cuja cozinha genuinamente portuguesa convidava a repetir, só é impossível repetir o prazer para o palato dos filetes de Peixe Galo com arroz que desafiavam e qualquer gourmet não dispensava.

 Recordo que foi ali o jantar oferecido a amigos quando do meu terceiro casamento e daí mais uma memória relevante para mim.

O restaurante alterou posteriormente a sua oferta e o Manuel com a colaboração de um soldado do Pel Caç Nat 63, oriundo da região da Bairrada,  passou a servir exclusivamente leitão. 

Foi um sucesso e, para além de enormes elogios nas revistas da especialidade que o obrigavam a horas extras e aos clientes a pedido de reserva,  tinha orgulho de servir o melhor leitão em Lisboa, senão mesmo no País.

Os encontros com o Manuel continuaram, por vezes mais espaçados mas em setembro (de 2022) juntámos-nos na Praia da Areia Branca. Tal como eu ele elege este local como um dos seus preferidos e onde tem residência. 

É sempre um enorme prazer privar com o Manuel e nesse encontro lá lhe passei a narrativa das minhas missões de voluntariado em Bissau sempre associadas às inevitáveis comparações da Guiné do período colonial com a dos dias de hoje.

Sem saudosismos e conscientes que os sistemas coloniais não servem os povos, resta-nos a tristeza justificada pela atual situação social e política que infelizmente nada trouxe de melhor para o povo guineense.

Sempre que posso, envio bens para os meus irmãos guineenses pela via marítima mas quando me desloco a Bissau transporto tudo o que é possivel e pode ser útil numa sociedade com tantas carências e o Manuel sabendo disso pôs-se imediatamente à disposição para me facultar bens tão necessários como roupa e telemóveis para eu levar e distribuir de acordo com as necessidades locais, e encontrámos-nos para a entrega. 

Tinha comprado o livro “Estórias Cabralianas”, do saudoso Alfero Cabral, também antigo comandante do 63, para lhe oferecer e fiquei mais uma vez surpreendido com o Manuel. Também tinha uma oferta para mim. Um livro com o titulo “O Vale dos Malmequeres”, da editora Chiado Books e o nome do autor que o exemplar exibia era Manuel Elvas.

Não comecei a ler porque o reservo para a minha leitura em Bissau para onde parto dia 26, mais uma vez para colaborar na área da formação desportiva com clubes filiados na Federação da Andebol da Guiné-Bissau mas trata-se de um livro cuja narrativa são memórias que trazemos da Guiné então Portuguesa, sem serem estórias de guerra são estórias dos conflitos interiores que todos trouxemos e que ainda não conseguimos nem conseguiremos pacificar.

Espero também encontrar as estórias de fraternidade e dos sentimentos de amizade e confiança que se mantiveram durante quase cinquenta anos que levam que pessoas tão diferentes como eu e o Manuel se encontrem, se respeitem e mantenham valores comuns e que hão-de prevalecer.

Manel,  esta foi mais uma surpresa que me apanhou desprevenido. A tua discrição e sobriedade escondem talentos como a liderança, a gastronomia e agora a escrita. Espero que tenhas saúde e longa vida e fico expectante mas não desprevenido para outras surpresas.

Lisboa 13 de Novembro de 2022.
_________________ 

 Nota do editor LG:

(*) "O Vale dos Malmequeres", de Manuel Elvas. 

Sinopse: Tal como uma árvore sem raízes não vinga, assim uma causa sem líder é inútil. Os jovens dos anos sessenta e princípios dos anos setenta foram obrigados a suportar sacrifícios incomensuráveis numa guerra colonial que os viria a marcar para toda a vida. 

 A união que prevalecia entre eles quando regressaram à pátria, nunca surgiu com força capaz de fazer valer suas aspirações que não eram mais que o reconhecimento do martírio que haviam suportado. Faltou-lhes um líder.

 Alguém que unisse os elos da corrente tornando-a inconcussa. Alguém que abraçasse todos aqueles que numa desesperação aflitiva deixaram de acreditar na esperança, na vida. 

 Este livro não fala sobre a guerra, antes descreve como teria sido tudo diferente se esse líder tivesse surgido. O romance além de espelhar uma multiplicidade de sentimentos conduz-nos a um mundo de esperança ainda que cientes das desgraças que possam advir. 

 O sonho necessita de dois ingredientes essenciais: vontade e determinação.

 Fonte: ado Books ( com a devida vénia).

Guiné 61/74 - P27294: Parabéns a você (2423): Luís Mourato Oliveira, ex-Alf Mil Inf da CCAÇ 4740 e Pel Caç Nat 52 (Cufar, Mato Cão e Missirá, 1973/74)

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Nota do editor

Último post da série de 4 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27284: Parabéns a você (2422): Artur Conceição, ex-Soldado TRMS da CART 730 / BART 733 (Bironque, Bissorã, Jumbembem e Farim, 1965/67) e Inácio Silva, ex-1.º Cabo Apont Metralhadora da CART 2732 (Mansabá, 1970/72)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Guiné 61/74 - P26255: Fotos à procura de... uma legenda (191): a 4ª e última foto por identificar não pode ser o reordenamento e a pista da "minha" Gadamael, em finais de 1971 (Morais da Silva, cor art ref)

 

Guiné > Região de Tombali >  s/l > finais de 1971  > Foto nº 20 (reordenamento por identificar)


Guiné > Região de Tombali >  s/l > finais de 1971  > 
Foto nº 20A (detalhe)  (reordenamento por identificar)


Guiné > Região de Tombali > Gadamael > 1971 > Vista aérea do reordenamento de Gadamel e da pista de aviação   > Foto s/n (1)


 Guiné > Região de Tombali > Gadamael > 1971 > Vista aérea do reordenamento de Gadamel e da pista de aviação  (detalhe)  > Foto s/n (2)


Guiné > Região de Tombali >  s/l > finais de 1971 > 
Foto nº 20B (detalhe) (reordenamento por identificar)


Guiné > Região de Tombali >  s/l > finais de 1971  > 
Foto nº 20C (detalhe) (reordenamento por identificar)


Fotos (e legendas): © Morais da Silva (2024). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Guiné > Região de Tombali > Carta de Bedanda (1956) (Escala 1/50 mil) > Posição relativa de Bedanda, rio Cumbijã e, a sudoeste, Cufar, Mato Farroba, Ilhéu de Infandre e Príame (Catió).


Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2024)


Cor art ref
Morais da Silva

(i) cadete-aluno nº 45/63 do Corpo de Alunos da Academia Militar (e depois, mais tarde, professor de investigação operacional na AM, durante cerca de 2 décadas); 

(ii) no CTIG, foi comandante da CCAÇ 2796, em Gadamael, entre jan 1971 e fev 1972; instrutor da 1ª CCmds Africanos, em Fá Mandinga;  adjunto do COP 6, em Mansabá; 

 (iii) fez parte do Grupo L34, na Op Viragem Histórica, no 25 de Abril de 1974; 

(iv) é membro da nossa Tabanca Grande, com cerca de 150 referências no blogue.


1. A foto nº 20 é mesmo a última das 4 fotos aéreas do álbum do cor art ref Morais Silva (*) de que falta identificar a localização (**).
 
O fotógrafo diz que a foto nº 20 pode ter sido tirada a um reordenamento dos arredores de Catió.  

Recorde-se, mais uma vez,  que o cor art ref Morais Silva andava a "rearrumar" fotos do seu álbum da Guiné. Mas tinha umas tantas, sem legendas... E pediu-nos "ajuda"...

São vistas aéreas, tiradas de avioneta quando um dia, em finais de 1971, foi fazer uma visita de cortesia, camaradagem e amizade ao Augusto José Monteiro Valente (1944-2012), cmdt da CCAÇ 2792 (Catió e Cabedu, 1970/72) (precocemente falecido, com o posto de maj gen ref).

Na altura, ele comandava, desde janeiro de 1971, a CCAÇ 2796, os "Gaviões", em Gafamael. A caminho de Catió tirou umas tantas fotos ("slides"), incluindo umas quatro ou cinco do quartel e reordenamento de Gadamael.

Reconstituindo o seu percurso de avioneta (DO 27 da FAP ou Cessna dos TAGP), já vimos que:

  • ele seguiu para sul, ao longo do rio Cacine;
  • sobrevoou Cacine (foto nº 30);
  • atravessou a península de Cubucaré (que é delimitada pelos rios Cacine e Cumbijã);
  •  tirou uma foto ao destacamento de Cabedu (nº 29);
  • e chegou finalmente a Catió (fotos nºs 23 e 25). (*)

Recorde-se que, na altura, em finais de 1971, o PAIGC ainda estava fortemente implantado no Cantanhez. A reocupação da península de Cubucaré começa só em 12 de deembro de 1972 (Op Grande Empresa), não havendo aqui, até então, reordenamentos feitos pela NT.

Onde terá sido, pois, tirada esta última foto (nº 20) ? Catió, Príame, ilhéu de Infandre, Mato Farroba, Cufar, na margem direita do rio Cumbijã ?

2. O Valdemar Queiroz, o Manuel Reis e o Virgílio Teixeria dizem que é Gadamael. O Luís Mourato Oliveira e o António Graça de Abreu dizem que não é Mato Farro (contrariando o palpite de Luís Graça) (*).

Comentário do cor art ref Morais Silva ao poste P26189 :


Comparem-se as fotos aéreas de Gadamael e a que não sei identificar (nº 20). Conclua-se que esta não é de Gadamael, porque:

Reordenamento de Gadamael (pista na direcção Norte-Sul)
  •  parte Norte do Reordenamento PARALELA à pista e APENAS a Oeste dest
  • quadriculado da construção na totalidade do reordenamento

  • inexistência de vegetação expressiva no interior da área construída

  •  inexistência de profusão de traçados de “pé posto” no interior

Foto ainda não Identificada

  • não há PARALELISMO COM A PISTA
  • há construção nas duas áreas laterais da pista
  • vegetação expressiva no interior
  •  profusão de traçados de pé posto

2024 M11 26, Tue 22:00:01 GMT (***)


________________

Notas do editor:



(***) Último poste da série > 4 de dezembro de 2024 > Guiné 61/74 - P26229: Foto à procura de... uma legenda (190): O Portugal do Minho a Timor... O passatempo teve pouca participação, afinal não dava... "patacão".

sábado, 13 de julho de 2024

Guiné 61/74 - P25740: Elementos para a história do Pel Caç Nat 51 - Parte VIII: Cufar, no tempo do Manuel Luís Lomba (1965), do Armindo Batata (1970) e do Luís Mourato Oliveira (1973)



Foto nº 1 > Guiné > Região de Tombali > Cufar > Pel Caç Nat 51 > s/d (c.1970) > A pista de Cufar

Fotos (e legenda): © Armindo Batata (2012). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


Foto nº 2> A antiga pista de Cufar, usada pela Força Aérea Portuguesa durante a guerra colonial (1961/74). Posto de sentinela do tempo da CART 2477 (Cufar, 1969/71). (**)

Fotos (e legenda): © Martin Evison  (2022). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Foto nº 3 > Guiné > Região de Tombali > Cufar > 1973 > Fonte com bomba manual de volante com roda de balanço... Vinho empo do colono cabo-verdiano, grande produtor e comerciante de arroz, Álvaro Boaventura Camacho que terá cedido estas instalações (incluindo o aeródromo) à administração do território, com o início da guerra. Ainda se vêm em Portugal em muitas terras da província. Era uma tecnologia que se vulgarizou no séc- XIX:
Foto (e legenda): © Luís Mourato Oliveira (2017). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].

1. Mensagem enviada,  ao Armindo Batata, pelo editor LG, com data de 18/06/2024, 17:09

Armindo: Aqui tens mais um poste sobre o teu Pel Caç Nat (ou só Pel Caç 51, como vem nos livros da CECA sobre a atividade operacional) e sobre Cufar com algumas das tuas fotos de Cufar "reeditadas" e legendadas. (***)

Toda esta zona (Catió / Cufar ) era o grande celeiro da Guiné, com as melhores e maiores bolanhas... Os balantas de Mansoa começaram a emigrar para aqui, nos anos 20/30, expulsando para as florestas-galeria do Cantanhez "os donos do chão", os nalus, hoje minoritários... Mas também vieram chineses de Macau,  deportados da metrópole, colonos de Cabo Verde... (O contributo dos chineses de Macau, no início do séc. XX, foi decisivo para  o desenolcimento e o sucesso da cultura do arroz, no sul da Guiné, segundo o António Estácio,1947-2022)

O dono de Cufar era o "ponteiro, cabo-verdiano, Álvaro Boaventura Camacho, que nos anos 30 conseguiu uma importante concessão de terras...Era um grande produtor e comerciante de arroz. A fábrica de descasque era dele... 

Tinha uma pista de aviação, ao que parece. Terá cedido ou alugado tudo à tropa no início da guerra... Sabes algo mais sobre ele ? 

Cufar, como sabes, era a "Bissalanca do Sul", com uma pista de aviação, alcatroada com 2,2 km de comprimento... O António Graça de Abreu escreveu bastante sobre Cufar, esteve lá de meados de 1973 até abril de 1974, no CAOP1 (que já não é do teu tempo)...

"Mantenhas". Vamos estando em contacto... e recuperando memórias destas nossas subunidades africanas... de que, infelizmente, "não reza a história"! (Não têm "fichas de unidade", nos livros da CECA - Comissão para o Estudo das Campanhas de África)

PS1- Tens alguma ideia do alferes que foste render ? Provavelmente nem o conheceste... O primeiro comandante, como te disse, era o João Perneco (Guileje, 1966/68), que será alentejano...Já publicámos há dias uma foto de grupo dele..

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2024/06/guine-6174-p25654-elementos-para.html

E do teu 1º cabo trms, que sabia latim e grego, o José Maria Martins da Costa, autor do "Silvo da Granada" ? Tens alguma notícia dele ? Deve viver no Porto...

PS2 - O teu Pel Caç Nat 51 continuava em Cufar (em 1 de julho de 1971 e 1 de julho de 1973).



2. Resposta do do Armindo Batata 

Data - 1/7/2024, 17:08

Caro Luís Graça


Puxando pela memória, surge de facto o tal Camacho. Passou por Cufar quando eu lá estive, i.e., em 1970, tendo viajado em avião civil. 

Na altura perguntei de quem se tratava e a resposta que obtive foi a de que era o dono de Cufar, das instalações que ocupávamos e defendíamos, a quem o exército pagava renda. Recordo-me que foi resposta mais do que suficiente para voltar as costas e continuar com o que estava a fazer.

O alferes que me rendeu, nos últimos dias de dezembro de 1970, foi o Manuel Rosa. Creio não estar enganado no nome, até porque conheci-o na metrópole onde estive de férias,  no final da minha comissão, tendo regressado quando me faltava cerca de um mês para completar os 24 meses. 

O pai dele tinha uma loja de pneus na Rua São Filipe Neri, em Lisboa,  e almocei com ele e a família numa casa que eles tinham em Dona Maria / Belas. Imagina o quanto constrangedor foi aquele almoço, em que todos queriam saber "coisas" sobre o local para onde ele ia.

Quanto ao 1º cabo de transmissões José Maria Martins da Costa, sabia que ele tinha sido seminarista mas pouco mais soube. 

O cabo de transmissões, assim como o maqueiro, eram incorporados na escala de serviços da companhia para as saídas, o que limitava bastante os contactos e relacionamento, que em Guileje eram mais frequentes precisamente por sairmos menos do que em Cufar. 

O que retenho sobre ele não tem interesse algum para esta recuperação de memórias que em boa hora iniciaram. Quanto ao livro (o "Silvo da Granada"), de que nunca tinha ouvido falar, vou tentar encontrá-lo.

Abraço, 
Armindo Batata

Capa do livro do nosso camarada de Barcelos, 
Manuel Luís Lomba,“A Batalha de Cufar Nalu” 
 (Terras de Faria, Lda. 4755-204 – Faria, 
Barcelos, 2012). Uma batalha 
de meses, que começou 
em 20/21 de dezembro de 1964
 (Op Ferro, com forças das
CCaç 617 e 728, CCav 703 e 4ª CCaç).  
 


3. Comentário do Manuel Luís Lomba ao poste P18074 (**)
[ O Manuel Luís Lomba foi fur mil cav, CCAV 703/BCAV 705, Bissau, Cufar e Buruntuma, 1964/66, autor de "Guerra da Guiné: a batalha de Cufar Nalu", 2012; membro da Tabanca Grande desde 17 set 2012].
 
Olá, Luís  (Oliveira):
Antes da guerra, Cufar seria o principal centro da produção arrozeira do chamado celeiro da Guiné - Catió e Cacine. O edifício da vossa "intendência" era o que restava da moderna fábrica de descasque de arroz, que pertencera ao cabo-verdiano de origem madeirense Álvaro Boaventura Camacho

O abrigo subterrâneo parece dos escavados por nós (em 1965). A bomba de picota também é desse tempo. 

A pista de Cufar era a segunda maior da Guiné, inaugurada em 1958 pelo PR  General Craveiro Lopes, na ocasião da inauguração do aeroporto/aeródromo da base de Bissalanca, transitado de Brá (futuro aquartelamento da Engenharia, dos Comandos, dos Adidos e futuro Ministério das Obras Públicas da República da Guiné-Bissau).

A nossa subunidade (CCav 703) ocupou Cufar: a fábrica e a povoação estavam totalmente destruídas, por acções de guerra, entre Janeiro e Março de 1965, em operação de "intervenção às ordens do Comando-chefe"; em Dezembro de 64 participara na operação à mata de Cufar-Nalu e em Maio de 65 foi recorrente na operação que limpou essa mata, pelo desempenho decisivo da CCaç 763, do camarada Mário Fitas, que nos havia rendido na ocupação de Cufar. 

Nessa altura, a base de Cufar Nalu do PAIGC era comandada por Manuel Saturnino Costa, que virei a conhecer pessoalmente como ministro das Obras Públicas de consulado de 'Nino' Vieira e que chegará a seu Primeiro-ministro, ainda vivo, creio eu, - os meus votos da melhor saúde. [ Nascido em 1942, em Bolama, morreu em Bissau, em 2021, aos  78 anos: era irmão do Vitorino Costa].

Falei há dias com o ex-alferes Ramos Sequeira, julgo que foi o último comandante do pelotão de canhões s/r de Cufar 
[Pel Canh s/r 3079 ?] , recentemente regressado da visita a Cufar, que me disse: "Cufar encontra-se destruída e abandonada, os seu campos de arroz não foram recuperados, o capim vai até à pista de aviação que, do seu contributo à guerra da Guiné, passou a contribuir para a sua desgraça".

E como o blogue me permite, informo-te que sou autor de um livro centrado em Cufar e na mata de Cufar Nalu.

Ab. Manuel Luís Lomba
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Notas do editor:


quinta-feira, 27 de junho de 2024

Guiné 61/74 - P25688: Elementos para a história dos Pel Caç Nat 52, 54 e 63 que, ao tempo da BART 2917 (Bambadinca, jun 70 / mar 72), estavam destacados no Sector L1 - Parte III


BART 2917 (Bambadinca, junho 1970/março 1972)


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Sector L1 >  Bambadinca > CCS / BART 2917 (1970/72) > Monumento aos mortos do batalhão e unidades adidas (este monumento foi destruído a seguir à independência da Guiné-Bissau). O Sousa de Castro ( ex-1º cabo radiotelegrafista, CART 3494 / BART 3873, Xime e Mansambo, jan 72/ abr 74) mandou-nos, em 12 de novembro de 2007,   esta foto do monumento, da autoria do Júlio Campos, ex-fur mil sapador, do  BART 2917.

Mortos (1970/72): BART 2917: Alf Mil Ribeiro | Fur Mil Quaresma | Fur Mil Cunha | 1º Cabo Ribeiro | Sol F Soares | Sol Monteiro | Sol Oliveira | Sol P. Almeida || CCAÇ 12: Sol Soares | Sol U. Sissé | Sol C. Baldé || Pel Caç Nat 52: 2º Cabo Nhaga || Pel Caç Nat 54: 1º Cabo Menoita | Sol S Camará | Sol Adip Jop | Sol S Embaló | Sol S Sanhá | Sol S Indjai || Pel Caç Nat 63: Sol D Candé || Pel Mil 201: Sarg Mil C Candé | Sol M Camará | Sol Iaia Jau

Guiné >Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 (Bambadinca) > Mato Cão > Pel Caç Nat 52 (1973/74) > Aspetos banais da vida do dia a dia do destacamento,com o de cortar lenha com uma motosserra (um pequeno luxo)... Na foto, o último cmdt do Pelotão, extinto em agosto de 1974.

Foto (e legenda): © Luís Mourato Oliveira (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Enxalé > CCAÇ 1439 (1965/67) e Pel Caç Nat 52 (1966/74) > O primeiro comandante do Pel Caç Nat 52,o alf mil Henrique Matos: "Primeira lição no rio Geba, eu, periquito, com os velhinhos da CCAÇ 1439 no Sintex, que até tinha um pequeno motor fora de borda e base para metralhadora".


Foto (e legenda): © Henrique Matos (2007). Todos os direitos [Edição e legendagem complementar : Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Fonte: Adapt. de História da Unidade - BART 2917 (Bambadinca, 1970/72) Cópia gentilmente fornecida pelo Benjamim Durães.


I.  Baixas sofridas pelos Pel Caç Nat 52, 54 e 63, no Setor L1, ao tempo do BART 2917 (maio 70 / março 72), bem como punições e louvores


(i)  Mortos em combate 

  • Pel Caç Nat 52

- 2º Cabo Atirador Nhaga Macque 82068762 | Morto em 28/08/71 numa Acção de Patrulhamento em Finete | Sepultado em Enxeia.

  • Pel Caç Nat 54

- Soldado Atirador Suntum Camará 82047766 | Morto em 05/05/71 na Operação  Triângulo Vermelho | Sepultado em Bambadinca.

- Soldado Atirador Adi Jop 82130863 | Morto em 05/05/71 na Operação Triângulo Vermelho | Sepultado em Bambadinca.

- Soldado Atirador Cherno Sirá Sanhá 82088464 | Morto em 22/06/71 na Acção Galhito |  Sepultado em Bedanda.

- Soldado Atirador Sambaro Embaló 82052068 | Morto em 22/06/71 na Acção Galhito” | Sepultado em Farim

(ii) Feridos em combate

  • Pel Caç Nat 52

- Soldado Atirador Tunca Seidi 82063665

- Soldado Atirador Jobo Baldé  82068868

  • Pel Caç Nat 54

- Furriel Mil Atirador José  A L Pires 10684269

- Soldado Atirador António Maninho 82049167

- Soldado Atirador Sherifo Baldé 82056966

  • Pel Caç Nat 63

- 1º Cabo Atirador Sanassi Baldé 82052865

- Soldado Atirador Samaro Jau  82069865

- Soldado Atirador Guiro Jau  82064067

- Soldado Atirador Nianda Embaló  82035566


(iii) Mortos por outras causas 

  • Pel Caç Nat 54

- 1º Cabo Atirador Fernando Vasco Menoita 00762170 | Morto (Acidente) em 01/07/71 | Sepultado na Guarda.
  • Pel Caç Nat 63
- Soldado Atirador Jango Candé | Morto (Doença) em 15/03/71 | Sepultado em Bambadinca.

 
(iv) Louvores e Punições  (vd. quadro acima)
 
De acordo com o quadro acima reproduzido, o Pel Caç Nat 54 foi, comparativamente  com os outros dois (Pel Caç Nat 52 e 63),  o que teve mais baixas, mais punições e menos louvores.  Por razões óbvias, não queremos individualizar nem uns (os louvores) nem outras (as punições).

Sobre as punições,  há que referir que o Pel Caç Nat 54 teve tantas quantas as sofridas pelos outros Pel Caç Nat juntos : houve um militar com 3 punições, ao longo desde período (Pel Caç Nat 52) e outro  com 4 (Pel Caç Nat 54), o que naturalmente afeta o número total de casos. 

Somando os dias (de detenção, detenção agravada, prisão disciplinar e prisão disciplinar agravada), o Pel Caç Nat 54 sofreu tantos dias de punição (n=119) como os outros Pel Caç Nat juntos (n=118): 74, o Pel Caç Nat 52 e 44 o Pel Caç Nat 63... 

Na maior dos casos, as punições foram dadas pelo cmdt do BART 2917. Se acrescentarmos a estas subunidades, a CCAÇ 12, que também era composta por praças do recrutamento local, valeria a pena, com tempo e vagar, verificar  se  o comando deste batalhão teve ou não mão  pesada para as "africanas"... que eram pau para a toda a obra.

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segunda-feira, 17 de junho de 2024

Guiné 61/74 - P25650: Elementos para a história do Pel Caç Nat 51 - Parte VI: A propósito do assassino do alf mil Nuno Gonçalves da Costa, o soldado Mutaro Djaló, que já em Cufar tinha má reputação, e que chegou a viver na Venda Nova, Amadora (Luís Mourato Oliveira, último cmdt do Pel Caç Nat 52, Mato Cão e Missirá, 1973/74)

Foto à direita: Luís Mourato Oliveira, o último comandante do Pel Caç Nat 52 (Mato Cão e Missirá, 1973/74); veio  da CCAÇ 4740 (Cufar, 1973). Tem cerca de 75 referências no nosso blogue.. É autor da notável série "Álbum fotográfico de Luís Mourato Oliveira".

1. Mensagem de Luís Mourato Oliveira, com data de ontem, domingo, 16 de junho, às 19:57:

Olá, Luis

Tenho recebido por email, e por essa razão respondo na mesma via, alguma informação relativa à história dos Pelotões de Caçadores Nativos, uma delas deixa-me sempre alguma triesteza porque se trata do assassinato do Costa, comandante do Pel Caç Nat 51 com quem convivi em Cufar quando este pelotão estava ali colocado antes de se deslocar para Jumbembem. (*)

O Nuno Gonçalves da Costa era um companheiro pacato, sincero e alguém que podemos classificar como um homem bom, título que considero o mais ilustre para um ser humano.

Foi assassinado por um soldado que já em Cufar tinha má reputação e que se chama, se ainda viver, Mutaro Djaló. 

Num encontro que tive há cerca de um ano para entregar uma encomenda com destino à Guiné Bissau, encontrei-me com o portador nas Portas de Benfica e tivemos uma longa conversa sobre o passado colonial e falámos nas tropas africanas de que o guineense tinha feito parte e do assassinato do Costa.

Fiquei a saber que o assassino viveu na Venda Nova, Amadora, e que regressou à Guiné Bissau, não posso precisar quando.

Pela narrativa, o crime não foi devidamente punido e um assassino de um homem bom, oficial do exército português, viveu com impunidade e com as regalias que os antigos combatentes foram privados e muitos foram executados criminosamente pelo novo regime instaurado após a independência.

Portugal e PAIGC ficaram mal na fotografia que há-de ser um testemunho da História. 

Também, não sei se por coincidência porque muitos nomes há iguais em todo o Mundo, existe na Guiné Bissau pelo menos um Mutaro Djaló que deve ter a idade do assassino e que foi ministro do interior e posteriormente director geral da imigração e fronteiras. Há crimes com recompensa e, neste caso, quem sabe?

Grande abraço

Luís Oliveira
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